Sou multifacetada. Sou colorida. Sou ciência e energia...

Minha presença no mundo é efêmera. Ainda não pari coisa alguma.
Nem filho que me faça mãe, nem obra que me faça ser.
Se partir hoje, se morrer agora, viro tinta e pó. Serei esboço, o vir a ser. Não teria sido nada senão ideias, parte de mim.
A vida pulsa. Rasga as entranhas. Quer nascer. Quer ser gente e andar sozinha. Ensaia os primeiros passos, cambaleia, anda, corre, alcança... Alcança?
Atravesso os mares em um segundo. O mundo inteiro não cabe em mim. Sou efêmera. Sou presença liquida. Sou extensa, sou intensa... e eis a rima.
Corro de pés no chão. Não tenho medo de me ferir. Sou a filha e a mãe da terra. Gerei no meu ventre suas sementes. O mundo me pertence. E posso confina-lo em um abraço.
Sou sozinha e amo a solidão como a uma igual. Não pertenço. Sou água que escorre das mãos. Sou livre.  Sou palavra sentida (e jamais dita) que escorre do ser para o papel, pinga de dentro para dentro e cada vez mais dentro. E então sou silêncio.

Sou multifacetada. Sou colorida. Sou ciência e energia. 

Maria Bonita

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