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Mostrando postagens de setembro 17, 2017

A bêbada e a equilibrista

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1 Caiu a tarde, o viaduto e o avião. E eu, a bêbada equilibrista trajando luto fiz do meu (ul)traje verbo. Lutar é a malha que cobre meu corpo nu enquanto a passos tortos atravesso a fina linha de sorrisos e engodos tortuosos. Bebo do cálice de vinho tinto que é sangue e é bandeira. Em instantes embriago-me das paixões e dos sonhos aos remendos que o reto não concebe. Embebedo-me de vermelho, que também é a cor dos meus cabelos. Desvio da linha reta das convenções, dos ódios declarados ou não e da falsa promessa que sua linearidade perfeitamente alinhada é capaz de me proteger dos abismos. Não é! Escolhi o trapézio por vontade e vocação. Atiro-me, lanço-me de uma lado ao outro sem medo da queda. Rede alguma me ampara. Sou equilibrista. Nas pontas dos pés, a corda torta me desafia - “vem dançar em mim” – Corda tão torta quanto as ruas da cidade que desterrei. Por sorte meus pés acostumaram a percorrê-las em sinuosos passos. Fossem meus pés retos e a queda para morte para ser...